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Imersão no Gelo Pós-Exercício Ajuda Na Recuperação: Verdade ou Mito? Descubra Agora


Há muita discussão sobre o “banho de gelo” após atividade física e o quanto ele ajuda ou não na recuperação muscular e metabólica. Nós da Ciência do Atleta vamos esclarecer alguns fatos sobre este método tão utilizado por esportistas.


O método de remoção de calor do corpo através da sua imersão no gelo, seja numa banheira, piscina, ou tanque, é definida como crioterapia. Muitos atletas utilizam esse método após treinos fortes e durante competições com a intenção de acelerar a recuperação muscular e metabólica. Esse mecanismo é atribuído ao efeito de vaso-constrição, reduzindo reações inflamatórias, dores musculares e desacelerando o metabolismo celular.


Porém, se você tem o costume de entrar numa banheira de gelo para acelerar sua recuperação, sinto lhe informar, mas você tem ENTRADO NUMA FRIA. Nenhuma evidência relevante foi encontrada nos inúmeros estudos feitos em que a crioterapia ajuda na recuperação muscular e metabólica após atividade física intensa. Assim podemos concluir que a utilização da crioterapia para acelerar a regeneração é um MITO! Entretanto, existem outras situações em que esse procedimento pode ser benéfico para o atleta!


Entenda alguns fatos sobre a crioterapia de imersão pós-exercício, todos já comprovados por estudos científicos:


Não tem influência na remoção de lactato


A explicação da prática da imersão no gelo para remoção de lactato seria que após a enorme vaso-constrição nas veias e artérias causada pela baixa temperatura do corpo, haveria uma súbita vaso-dilatação das mesmas fazendo com que o sangue então circulasse numa pressão maior, “varrendo” todo o lactato do sangue.

Não há estudos que mostrem uma diferença significante de nível de lactato, tanto muscular quanto sanguíneo, após utilização da crioterapia.

(Informações para os NERDS:

Outras variáveis encontradas no metabolismo que são indicadores de recuperação são níveis de CK (Creatina Quinase – enzima indicadora de quebra de músculo esquelético), LDH (lactato deshidrogenase – enzima que catalisa a interconversão de piruvato e lactato) e plasma citosina (pequenas proteínas). Também não ha evidências favorecendo a crioterapia em comparação aos grupos de controle quando analisados estas variáveis.)



Atrapalha a adaptação do músculo após o treino

Devemos entender que é esperado que atividades físicas gerem danos nos músculos mas essas pequenas lesões são positivas e fazem parte do processo de adaptação ao treinamento. Quando acontece uma micro lesão o corpo ativa uma sequência de respostas inflamatórias. Essas respostas causam as dores musculares horas depois do exercício físico.

Ao imergir o corpo no gelo após o treino, causa-se um efeito anti-inflamatório. Desta maneira, a imersão inibe a resposta inflamatória do corpo às micro lesões, não deixando com que os músculos se adaptem aos estímulos feitos no treinamento.


Pode ser danosa ao sistema nervoso

A diminuição da temperatura do tecido intramuscular pode alterar a excitabilidade neuronal (efeito agudo), tendo consequências relevantes nas ações musculares e na coordenação motora, fundamentais na alta performance.

A diminuição da temperatura do líquido extra celular no músculo pode também levar à um aumento na rigidez, causando uma maior dificuldade em realizar os movimentos e manter amplitude.

Além disso existem muitas contra indicações na crioterapia já que esse procedimento pode causar taquicardia, hipertensão (durante), hiperventilação e até uma síncope devido a redução de sangue no cérebro, principalmente quando a imersão é feita no corpo completo.


Diminui performance após imersão

Testes funcionais para o desempenho de atletas verificaram que as diversas manifestações da força, como potência, velocidade, agilidade, são afetadas de 15 a aproximadamente 30 minutos após crioterapia. A performance de atividade anaeróbica (intensa) também é afetada negativamente até uma hora após imersão no gelo.

Isso mostra que o banho de gelo pode ser altamente danoso a performance do atleta se ele pretende voltar a competir ou treinar logo após a imersão.


Simplesmente causa uma sensação de analgesia no corpo


A imersão do corpo no gelo alivia significantemente a sensação de dor nos músculos. Essa sensação de alivio da dor é gerada porque o esfriamento do corpo muda a condução sensorial nervosa a um nível fisiológico suficiente para induzir o efeito analgésico, ou seja, ela impede ou diminui o estímulo de chegar até o cérebro.


Um dos únicos benefícios comprovados da imersão no gelo é a diminuição significante das “dores musculares do dia seguinte” (de 24h a 96h após exercício) comparado aos grupos controle.


A sensação de alívio causa bem-estar e uma falsa sensação de recuperação, quem podem sem dúvida ajudar no quesito psicológico de um atleta. Entretanto a níveis metabólicos e musculares não existem sinais de benefícios na recuperação.


Em breve discutiremos outros métodos usados na recuperação de atletas após treino e competição. Fiquem ligados!


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Ciência do Atleta. 

Questionando o senso comum no esporte

© 2016 by Renata Sander