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Entrei de férias e destreinei! E agora?


Estamos naquela época de volta aos treinos, depois de boas férias quando nossa última preocupação foi treinar. E junto com a volta aos treinos vem aquela sensação de que nosso corpo não é o mesmo, nos lamentamos porque apesar de ter dado duro o ano passado inteiro, em pouco tempo nossos esforços foram em vão.


O que será que realmente perdemos nas férias? O acontece com o nosso corpo em período de destreinamento? O Ciência do Atleta te explica já!


O que é destreinamento?


Primeiro vamos entender o conceito de destreinamento, a falta de estímulos no corpo por não estar treinando ou estímulos fracos demais para causar qualquer ganho. Ao contrário do que muitos acreditam, nem precisamos estar totalmente parados para entrarmos em destreinamento! Ou seja, se nosso treino não tem sido “forte” o suficiente, o corpo já pode perder um pouco das suas capacidades atléticas, como força, velocidade e capacidade aeróbica.


A boa notícia é que estas alterações começam a aparecer apenas após um certo período depois que ficamos parados ou sem os devidos estímulos, então quem sabe voltamos a treinar a tempo de não perdermos muita coisa...



Em quanto tempo eu destreino?


Quando montando uma sequência de treinamento (no modelo de periodização ATR - Acumulação, Transformação, Realização), um cientista chamado Issurin já propunha esta sequência dividida em blocos baseados no tempo que cada capacidade atlética leva a chegar no destreino.


E qual seria esse tempo?


Claro que cada pessoa responde de uma maneira diferente, e quanto mais treinado você é, mais você tem a perder! O tempo que se leva para entrar em destreino, ou tempo de duração aproximado dos efeitos residuais de treinamento, nas seguintes capacidades são:


-Resistência aeróbica: 30 dias

-Resistência anaeróbica: 18 dias

-Força máxima: 30 dias

-Resistência de força: 15 dias

-Velocidade máxima (alática): 5 dias


Só lembrando que não podemos considerar estes números como verdade absoluta, já que estes dados são de um modelo antigo de Issurin, por isso tendo suas limitações... Estudos mais recentes podem propor novos limites.


Músculos


Muitas mudanças acontecem no nosso corpo durante as férias, nos quesitos metabólicos, hormonais e cardiovasculares, mas talvez as mudança mais evidentes sejam nos músculos. Nos sentimos mais flácidos, isso porque os músculos diminuem de tamanho (atrofia muscular), assim podendo perder força e explosão. A magnitude de perda acontece proporcionalmente a quão treinado o indivíduo é, sendo, quanto mais treinado mais se perde. Enquanto isso pessoas muito pouco treinadas podem manter os níveis de força até 7 meses!


Mas sabia que não só a atrofia é o motivo de perdermos força? Pode-se ocorrer também uma interrupção do recrutamento das fibras musculares devido a uma menor frequência de estímulos neurais. Para ficar mais fácil entender, quando não usamos os músculos com tanta frequência, deixamos de dar comandos a eles, e cada vez menos micropartes deles são recrutados para o seu uso e cada vez menos força consegue-se fazer.


*Curiosidade: Memória Muscular


Atletas e pessoas altamente ativas têm uma maior facilidade em ganhar massa magra e força quando voltam às atividades depois de um período parados! Este fenômeno se chama memória muscular, que pode durar por até quinze anos de inatividade! Quanto mais treinado e mais nova a pessoa inicia treinamento de força, mais prolongado a memória muscular tende a ser.


Este fenômeno pode ser explicado por uma possível alteração em quão bem certos neurônios respondem aos estímulos (excitabilidade dos neurônios motores) já que eles já “aprenderam” os caminhos antes. Resultados de experimentos mais recentes sugerem também que existe uma memória a nível celular, em que mudanças nas células dos músculos acontecem quando treinamos e permanecem lá mesmo quando entramos em destreinamento.


Destreinamento x Descanso



Alguns dias de descanso ou redução nos treinos podem não atrapalhar o desempenho e podem até mesmo ajudar na performance, como se é feito nos períodos de polimento ou taper, onde se diminui a carga de treinamento por alguns dias ou semanas para uma competição alvo, ou mesmo durante uma semana de treinos, onde necessita-se de certa recuperação até o próximo estímulo.


Devemos lembrar também que o descanso e férias são importantíssimos para qualquer atleta, fundamental para evitar lesões e overtraining, além de aliviar a mente de todo o estresse da temporada! Então espero que tenha aproveitado bem para relaxar e recarregar as energias!

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Ciência do Atleta. 

Questionando o senso comum no esporte

© 2016 by Renata Sander